Resenhas

O Verão que Tudo Mudou

O que é ser livre? O que significa estar em um padrão? Tenho comentado muito sobre isso. Atualmente tenho me dedicado a conhecer autores novos e estilos novos de leitura. Ai você me pergunta, mas o que isso tem ver com liberdade? Ai eu te explico… li quatro livros bem diferentes, um “Pega lá a chave de fenda” da Ruth Manus, um livro de crônicas que te fazem refletir sobre o seu dia-a-dia, temas simples, escrita sem nenhuma complexidade, mas com o potencial de te deixar reflexivo e pensativo, um livro lido numa fase especial para mim, queria que a Ruth soubesse como os textos dela e seu livro são importantes para mim.

Outro livro interessante foi “O dia que te esqueci” da Margarida Rabelo Pinto, é um livro, conforme eu já dediquei um post só para ele, um livro que mexeu com minhas estruturas, um livro diferente, contato através de uma carta, mas que te faz ir lá nos pensamentos da autora, que nada mais é os seus pensamentos, como nós levamos nossas relações amorosas e nossas perspectivas sobre os outros, em outros tempos de pouca liberdade não teria lido esse livro por puro preconceito.

Um livro incrível que li foi “O verão que tudo mudou” , um livro escrito por três autores, a Gabriela Freitas, a Thaís Wandrofski e o Vinicius Grossos, eles são blogueiros famosos, escrevem textos legais na internet, e eu pensei, porque não ler um livro deles, e foi incrível. Os personagens, apesar de jovens são bem construídos e tem uma profundidade incrível, me vi descrita em cada um deles, os medos, as inseguranças, as loucuras. Me identifiquei principalmente com a Lavínia, uma menina que fez uma viagem sozinha para colocar as coisas e inclusive a cabeça no lugar, ela precisava de decidir sobre a própria vida, mas precisava de um tempo para si, me identifiquei especialmente com ela, porque vivi isso na pele.

Precisei me desligar do mundo para colocar minha cabeça no lugar, tomar as melhores decisões, respirar… E numa dessas loucuras minhas, fiz como a Lavínia, peguei minha mala e partir para um lugar tranquilo para pensar e tomei as melhores decisões da minha vida depois dessa viagem.

As vezes passamos por momentos muito complicados em nossas vidas, que apenas a solidão é capaz de nos dar um rumo. Eu li esse livro depois de ter viajado sozinha, mas se tivesse lido antes, teria tido menos medo e mais certeza do que aconteceu, consegui colocar as coisas no lugar.

Acho super importante, uma vez no ano, fazer uma viagem sozinha, uma viagem de reflexão e introspecção, além de se divertir, é claro, mas é um momento importante de você ficar cara a cara com si mesmo, cara a cara com seus medos, pânicos, tristezas, angustias e de você conseguir a resposta para todos eles.

Tem um trecho desse livro que eu acho fantástico, que resume muito bem o que eu senti nesses momentos de solitude, em outro estado, longe de família, amigos, amores ou desamores:

“Eu me adaptei a sobreviver. Aprendi a usar a fantasia de vítima, não por mal, mas porque, por um bom tempo eu fui mesmo uma vítima – de mim mesma, da minha culpa…(…) Por isso entrei naquele avião, por isso estou deitada nesta cama, por isso escuto o barulho do mar agora. Não é sobre me redescobrir, é sobre me perdoar”

É exatamente o que eu estava sentindo quando peguei o meu avião, é sobre o que eu sinto quando escrevo agora, é sobre a liberdade. É sobre me libertar de preconceitos, se eu não tivesse lido esse livro, não teria visto essas belas e incríveis palavras… Uma vez, uma colega que escreve muito bem, me disse que achava um absurdo ela não conseguir publicar um livro e esses “blogueirinhos” conseguirem. A beleza de uma obra não está necessariamente ligada a complexidade com que ela é feita, mas sim como ela te toca.

Quando li “Cem anos de solidão” do Gabriel Garcia Marques, senti cem anos de solidão no meu coração, quando li “A menina que roubava livros” de MARKUS ZUSAK senti a tristeza e a dor, pude sentir o recado que a morte dava, quando li “O verão que tudo mudou” pude sentir realmente como alguém pode escrever sobre a gente, e você não precisa ser muito complexo, ou escrever sobre um grande tema, a vida já é um tema e tanto para se escrever, e como em especial a Gabriela Freitas conseguiu colocar no papel, com tanta maestria uma reflexão sobre tanta coisa, é como se ela estivesse comigo nos meus dias de viagem, como se ela tivesse lido meus pensamentos. Mas ser um grande autor tem dessas coisas, entender a profundidade da vida.

Fiz nesse livro uma coisa que nunca faço, marcar trechos… vou deixar um outro trecho incrível desse livro, como um tira gosto de uma obra linda que vale a pena ser lida, relida, marcada e deixada do lado da sua cama.

“Você não é frágil, Lavínia. Pelo contrário, é uma mulher segura, forte, que pode ter o que quiser. Você não é igual aos outros e não precisa ser igual a mais ninguém. Não aceite menos, porque você merece mais, e não há nada, absolutamente nada que possa impedi-la de ter tudo”

Como não se apaixonar por essas palavras… O Fato é, você devem ler este livro,  vocês devem ler o que sente vontade e serem tocados por essas palavras, que nada, absolutamente nada reprima vocês e inclusive o desejo de ler de vocês, isso se chama LIBERDADE.

Pamela Sobrinho

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