Resenhas

O Amor nos Tempos do Cólera

Nunca fui fã de romances água-com-açúcar, por um único motivo: Não acho que eles existem. Os romances policiais e as histórias fantásticas de tecnologia sempre me fascinaram.

Acredito que o amor possa existir, mas não da maneira perfeita e fantasiosa como é relatado na maioria dos livros, filmes e novelas.

Quando conheci a obra de Gabriel Garcia Marques aprendi um conceito diferente de literatura, onde o folclore, o amor humano e as imperfeições dançam numa sinergia e num espetáculo incontestável.

É real, tem defeitos, qualidades, medos e coragens, é como a representação poética de nossa vida. Em algum momento você se vê nos personagens criados por Gabo.

Tratar as imperfeições humanos com a naturalidade que elas acontecem é desmistificar o mito da perfeição.

Perfeição é um conceito relativo e subjetivo. Será que é amor? Quem nunca se deparou com essa indagação, essas perguntas são facilmente resumidas em “Nunca teve pretensões de amar e ser amada, embora sempre nutrisse a esperança de encontrar algo que fosse como o amor, mas sem os problemas do amor.”.

Em “O Amor nos Tempos do Cólera”, Gabo trata da espera, das escolhas, do tempo e das diversas formas de amor, todas com suas imperfeições,  do dia a dia dos casais, de como o amor deve ser nutrido todos os dias para nunca morrer, Gabo escreve que “O problema do casamento é que se acaba todas as noites depois de se fazer o amor, e é preciso tornar a reconstruí-lo todas as manhãs antes do café.”

Além de frases e a descrição de arrepiar como a dita pelo Dr. Urbino a Fermina em seus braços antes de morrer

“Chegou a reconhecê-la no tumulto através das lágrimas da dor que jamais se repetiria de morrer sem ela, e a olhou pela última vez para todo o sempre como os mais luminosos, mais tristes e mais agradecidos olhos que ela jamais vira no rosto dele em meio século de vida em comum, e ainda conseguiu dizer-lhe um último alento: – Só Deus sabe o quanto amei você

O livro trás lições fantásticas sobre a vida, as memórias, sobre como encaramos nossas lembranças, como somos influenciados por essa poderosa máquina que é o cérebro, assim muito bem descritas com “Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a esse artifício conseguimos suportar o passado.”

É uma história de amor, é um amor real, cheio de ansiedades, decepções, tristezas, mágoas, alegrias, traições. É o amor que surge com o tempo, mas também é amor que surge a primeira vista. É o amor que espera, amor que acelera, é amor na sua mais pura natureza, é um amor que navegaria por toda a vida!

Vale muito a pena ler este livro, vale muito a pena ler Gabriel Garcia Márquez, vou colocar o resumo da obra para quem não há conhece:

“O livro conta a história do amor não realizado do telegrafista, violinista e poeta (as mesmas profissões do pai de García Márquez) Florentino Ariza por Fermina Daza, uma respeitável donzela de família. Por conta do seu ofício “principal”, e a consequente necessidade de entregar telegramas e cartas, o protagonista da trama acaba por ter contato com a família da moça. Daí nasce uma paixão febril que ainda será mantida no anonimato por algum tempo. Lorenzo, o pai, descobre o idílio e envia sua filha a uma viagem de um ano, na tentativa de fazê-la se esquecer de Florentino. A estratégia funciona. Quando retorna e o pretendente misterioso finalmente se identifica, Fermina o rejeita e casa-se com outro homem, considerado um “bom partido”. A partir disso, só resta a Lorenzo duas opções: esperar ou esquecer.”

Pamela Sobrinho

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