Economia

Crises e Inflação: Perguntas e Respostas

Quer entender um pouco sobre a crise econômica que afeta nosso país? Selecionei algumas perguntas e respostas para ajudá-lo a entender um pouco mais o que está acontecendo no Brasil.

–  Qual é a saída que nos cabe para a crise e o desemprego nacional? 

O Brasil em 2014 atingiu o menor índice de desemprego dos últimos 20 anos, chegando ao que em economia chamamos de “pleno emprego”, entretanto os níveis de produtividade do brasileiro se mantiveram estagnados, num momento em que a crise econômica e política eclodiram em 2015, as empresas tiveram que passar para uma reestruturação, diminuindo o quadro de funcionários e estimulando a produtividade daqueles que ainda estão empregados para se manterem ativas durante a crise. Estima-se que apenas em 2021 o Brasil terá o mesmo nível de estoque de empregos de 2014. Outro grande problema enfrentado, é que o maior investidor é o ESTADO, e este se encontra endividado, dificultando o crescimento econômico e a criação de novos postos de trabalho. Uma medida de curto prazo para amenizar os efeitos desastrosos do desemprego é trazer para o Brasil investimento estrangeiro, novas empresas para produzirem no Brasil e contratarem mão-de-obra nacional, para isso seria necessário parcerias comerciais e alguns estímulos fiscais para atração desses investimentos, outra medida seria as parcerias públicos/privadas e as concessões, voltados para a melhoria da infraestrutura brasileira, estimulando o emprego e deixando o Brasil mais competitivo no mercado internacional, pois reduziria o custo de seus produtos.

– Qual foi a principal causa da crise atual? 

Existe um histórico longo para a atual crise econômica, ela se inicia em 2012 com os desequilíbrios fiscais do governo (arrecadação menor que os gastos) e um estimulo crescente do emprego/renda sem o aumento da produtividade do trabalhador, gerando desequilíbrio de produção, entretanto o estimulo ao credito crescia, ocasionando um desequilíbrio entre demanda e oferta, com isso a inflação começa a crescer e não há medidas do governo para conte-la, outro ponto importante é que o preço de produtos essenciais (água, luz e combustível) estava congelado. Já em 2014 o Brasil entre em recessão técnica, com crescimento negativo do PIB, porém como era ano de eleição presidencial, varias medidas necessárias para a contenção da crise não foram adotas, pois seriam medidas austeras, que prejudicariam a imagem do governo. No pós-eleição a crise estoura na mídia, pois ela já estava acontecendo, e com a perda de apoio do então governo eleito no planalto, o Brasil em 2015 afundou numa crise econômica.

As principais causas da crise econômica atual foram: Desequilíbrio fiscal do governo, uma postura do governo para conter a crise em seu estágio inicial ( ou seja, o governo se isenta de tomar medidas para a contenção de crise por motivos eleitorais) e a crise política brasileira pós-eleição, talvez esse último motivo seja o que mais agravou a situação brasileira, pois todas as medidas que o governo eleito tentava implantar eram barradas no congresso nacional, e não podemos deixar de destacar a corrupção que atingiu as grandes empresas nacionais.

– Como prevenir novas crises? 

As crises no capitalismo são comuns, cíclicas. De tempos em tempos estaremos nos deparando com crises econômicas, difícil dizer medidas anticíclicas adotadas o tempo todo, pois essas medidas acabam travando o crescimento. A grande lição que aprendemos da atual crise brasileira é que o governo fique atento aos indicadores macroeconômicos. Quando a inflação se torna crescente e o PIB começa apresentar pequenas quedas, é o momento da intervenção econômica, com medidas de contenção da demanda e estimulo ao investimento e a oferta.

– O aumento do poder aquisitivo pode gerar descontrole na inflação?

 Sim, mas devemos lembrar que ter inflação não é ruim, a inflação controlada significa que o país está crescendo, e o aumento do poder aquisitivo significa aumento do consumo, investimento e do PIB. O que acontece que com o aumento do poder aquisitivo haverá aumento de demanda, se as empresas/ou o governo não estiverem preparadas para atender essas demandas implicará no que esta acontecendo atualmente no Brasil, uma inflação acelerada.

– Se a taxa de inflação diminuir, o preço dos alimentos também diminuirá? 

Tecnicamente sim, um exemplo é o leite, em algumas regiões ele chegou a custar R$ 3,58, hoje, passado os problemas dos produtores, ele pode ser encontrado a R$ 1,98. Entretanto, diante da expertise de quem oferta os produtos, os preços não caem na mesma proporção que a inflação.

– Com a redução dos juros, pôde-se dizer que a inflação irá aumentar? 

Uma medida de contenção da inflação é o aumento da taxa básica de juros, porém, como observado no Brasil nos últimos tempos, esta medida de contenção sozinha não está resolvendo, pois está impactando também o investimento privado. As últimas ações do Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) em manter a taxa Selic estável está impactando positivamente na queda da inflação, a projeção é que até o fim do ano a Selic seja reduzida para 13,50%, isso porque melhora a expectativa de investimento e de crescimento no longo prazo. Existem medidas técnicas que são adotadas para contenção da inflação e crescimento econômico, porém temos que deixar claro que lidamos com pessoas e as expectativas dessas, isso faz com que medidas tradicionais caiam por terra e sejam adotadas outras medidas para atendimento daquela necessidade. Economia é muito dinâmica, e temos que ficar atentos.

 

Pamela Sobrinho

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